sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Meu lugar seguro

“Tu és o meu esconderijo; Tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.” (Salmos 32.7)

De nossa reação aos ataques do mal vêm as vitórias de Deus e os cânticos vitoriosos do povo de Deus. Vamos achar nossa força e proteção no Deus Onipotente! Vamos fazer Dele nosso esconderijo, nossa fonte de segurança e nossa esperança em tempos de tribulação! “Pai, obrigado pela confiança que tenho no Teu poder para me libertar em cada ataque de Satanás. És digno de toda glória, honra, poder e louvor! No nome de Teu Filho e meu Senhor, Jesus Cristo, Te adoro. Amém.”

Phil Ware, phil@iluminalma.com, 30out2009sex04h45m01s, adaptado por Jairo Larroza

Luzes da pista

“Ansiedade é cansar de pensar nas coisas que poderão acontecer.“

Certa vez, viajando de volta, já anoitecia sobre a cidade de Belo Horizonte. O avião fez uma pequena curva, inclinando-se, e eu pude ver lá em baixo as luzes da pista do aeroporto. Por piores que sejam as condições, elas permitem ao piloto pousar com a precisão necessária. A ansiedade, em minha opinião, é como uma pista de pouso com as luzes acesas. A pista está lá, mas o avião não vem. A pessoa ansiosa está sempre "com as luzes acesas", de prontidão, pensando no pior, temendo o pior, ou que o melhor não venha. Estar ansioso é preparar terreno para a decepção, para a angústia e para os problemas “aterrissarem” em nossa mente. Vencer a ansiedade é apagar as luzes da pista: os "aviões” não descerão. Apague agora as luzes da ansiedade, buscando em Deus a Paz que ultrapassa todo raciocínio.

Pr. Márcio Roberto Vieira Valadão, Belo Horizonte, MG, 04nov2001dom, revisado por Jairo Larroza

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vigiar

“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6.12)

A batalha que enfrentamos não é física. É uma batalha espiritual, com forças que não enxergamos facilmente, mas que são poderes imensos. Não devemos encarar essa batalha como imaginária ou irrelevante. Assim como satanás estava claramente “à porta de Caim” (Gênesis 4.7), também está “à nossa porta” para nos fazer cair. Usará seu poder (ele tem algum) para nos derrotar, desanimar, destruir ou corromper. Essa luta é séria. Não subestime o poder espiritual do nosso adversário. “Pai, perdoa-me pelas vezes em que ignorei a ameaça do mal. Dá-me uma vigorosa vontade contra qualquer coisa injusta, impura, mentirosa, contra tudo que seja contrário a Tua obra e vontade. Não permitas que eu seja enganado pela tentação. Senhor, liberta-me do poder de satanás em todas as suas expressões. No nome poderoso de Jesus, amém.”

Phil Ware, www.iluminalma.com.br, 29out2009qui04h45m01s, revisado por Jairo Larroza

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Poema de uma mãe

Filho,
Eu quero hoje a tua volta.
Muitos dias e noites tu passaste
Longe de mim.
Muitos terás de contar,
Muito terás de ouvir.

Filho,
Eu quero hoje a tua companhia.
Fica ao pé de mim um pouco,
Não espere que eu adoeça,
Não espere que eu morra doente.
Talvez eu preferiria uma
Enfermidade hábil.
Morta, nada mais importará.

Filho,
Eu quero hoje o teu carinho.
Toque uma musica,
Cante uma canção.
Lembra-te que somos passageiros
Na grande aventura da vida.
Talvez eu parta muito breve,
E não tenhas tanto tempo
Como pensas.

Filho,
Eu quero hoje as flores do meu
Enterro.
De que servem as flores a uma morta?
Hoje eu poderei enfeitar
A minha mesa de trabalho
E a minha blusa de festa.
Os mortos não trabalham,
Os mortos não vão a festas.

Filho,
Eu quero hoje as tuas lágrimas.
Eu estou aqui e poderei amparar-te.
Não deixes para chorá-las
Depois que eu tiver partido,
Senão tu sentirás angustia
E eu sentirei tanta pena
Por não poder amparar-te...

Filho,
Eu quero hoje os teus presentes,
Eles me farão sorrir a alma.
De que me servirá um lindo túmulo
Com anjos e flores?
O mármore seria muito frio
E o bronze pesado demais.

Filho,
Eu quero hoje a minha morada,
Uma casa um pouco gentil,
Onde haja paz, onde haja livros,
Onde haja amor.
Bem vês que agora eu preciso de ti.
Por que precisarei depois?

Filho,
Eu quero hoje a história de tuas andanças,
A busca, a procura.
Que procuravas, enfim?
Tudo de bom e de belo está dentro de nós.
E de forte, também...
Portanto, não preciso buscar,
Portanto não adianta fugir.

Filho,
Eu quero a tua volta.
Vem enquanto há tempo,
Vem, procura viver de tal maneira
Como se fosse pensar,
Como se fosse não partir mais,
E não partir mais...

Escrito por dona Esmeralda Ferreira de Morais para seu filho, de 65 anos, que é residente nesta Associação, dependente cruzado de álcool e drogas. Ela tem Alzheimer e depende integralmente dos filhos, menos deste, a quem dedicou o poema. Marco Aurélio Abritta, marcoabritta@yahoo.com.br, Agente Educacional, Associação Ministério Jericó, Belo Horizonte, MG, 31 9748-7117 / 3427-7281, 28out2009qua14h59m09s

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Consolados para consolar

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de Misericórdias e Deus de toda consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.” (2 Coríntios 1.3-4)

Somos consolados porque somos atribulados. Somos consolados porque precisamos de uma bênção. Somos consolados para consolar outros. Apesar de cada afirmação dessas ser verdadeira, a última é crucial. Há algo sobre consolação que não pode ser totalmente realizado até que ela seja compartilhada com outra pessoa. É aquele passo final no processo da cura do luto, do desapontamento, da mágoa, da perda. Até que a compartilhemos, a consolação que recebemos é fraca, superficial e limitada. Consolação: passe-a para outra pessoa!

“Ó Senhor, Criador do Universo, obrigado por conheceres meu coração, cuidares das minhas preocupações, por me consolares quando estou ferido. Ajuda-me a compartilhar a Tua graça, misericórdia e consolo com alguém hoje. No nome de Jesus eu oro. Amém.”

Phil Ware phil@iluminalma.com, 21out2009qua04h45m01s, revisado por Jairo Larroza

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Criatividade ou Fé?

“Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?” (Marcos 6.37)

Jesus me fascina. Mesmo sabendo que não entenderiam a ordem ou a teriam por impossível, manda alimentar uma multidão que com certeza eles nunca tinham visto, muito menos liderado. Mas gostaria de meditar no impasse, na incapacidade de achar solução. Poderíamos esperar que se ajoelhassem e orassem para surgir um caminhão de comida – seria bem espiritual. Ou até que Jesus ordenasse que não tivessem fome, o que seria ainda mais espiritual. Faltou criatividade? Talvez. Faltou fé? Sem dúvida.

Creio que somos parecidos com os discípulos neste ponto. Tendemos a olhar para nossos líderes com uma daquelas perguntas do tipo “Está gozando a minha cara?” Outras vezes, simplesmente tiramos o time de campo em silêncio (ou não) e fica tudo sem solução. Deus só precisa de uns poucos pães para fazer um milagre – e nós de umas migalhas de fé. Talvez nem devêssemos ser criativos e sim receptivos. Ao invés de ouvir a voz de Deus queremos “criar” alguma coisa. Mas o Criador é Ele. Isso se chamaria fé, claro. Temos de lembrar os ingredientes da receita: 1. desafio, 3. ordem, 3. matéria prima e 4. solução. Neste caso, temos multidão com fome (desafio); o “dai-lhes vós de comer” (ordem); cinco pães (matéria prima) e a distribuição (solução). Quantas vezes Deus propôs algo assim para nós? É chegado um tempo de desenvolver uma fé que não seja contemplativa – aquela que lê a Bíblia e “acha bonito”. Precisamos ler, entender e praticar. Precisamos enxergar os cinco pãezinhos e, com a fé, ver neles uma multidão alimentada! Fé para ser fé tem de gerar movimento, ação; provocar resultado. Nada triunfalista, apenas sair do lugar e alimentar os famintos, sejam eles físicos ou espirituais.

“Pai, estou cansado de ter idéias brilhantes que não servem para nada, enquanto pessoas ao meu redor morrem de fome. Ensina-me a ter aquela fé que me faz criativo na solução das coisas.”

Mário Fernandez, www.ichtus.com.br, encaminhado por Vinicios Torres vtorres@ichtus.com.br, 21out2009qua01h26m31, revisado por Jairo Larroza

A Graça do Ordinário

“Quando aprendermos a aceitar o comum, deixarmos de cultuar nossas celebridades e olharmos mais para a Bíblia, então daremos os primeiros passos na direção do crescimento espiritual.”

Em algumas das minhas viagens, é comum ouvir pessoas me perguntarem: "Como é sua igreja?" A expectativa delas é ouvir relatos de fórmulas infalíveis de sucesso, mecanismos de crescimento, estrutura de gerenciamento, funcionalidade etc. Minha resposta tem sido: "Minha igreja é uma igreja bíblica, como a maioria das igrejas que conheço: há nela maledicência, intrigas, gente que adultera e muitos que insistem em não obedecer Deus e Sua Palavra, como há aqueles que oram, buscam uma vida de obediência e serviço, se arrependem, confessam, tornam-se ministros de reconciliação. É tão bíblica como era a de Corinto ou de Éfeso. Ela não é diferente. As pessoas que ali se congregam, seus líderes e pregadores, todos vivem a mesma vida comum, com seus conflitos conjugais, crises pessoais, indefinições profissionais e dilemas espirituais".

Certamente, temos na igreja e na vida dos seus membros histórias, fatos e experiências que chamariam a atenção por sua grandeza e beleza. Mas são situações extraordinárias. Elas não compõem o uni­verso comum e ordinário da vida. Temos que aprender a olhar e reconhecer aquilo que Deus está fazendo na vida comum das pessoas. A graça do ordinário.

Igreja infantil, que precisa do entretenimento religioso para fugir da realidade da vida

O problema que muitos cristãos enfrentam hoje é que estamos mais interessados em conhecer a vida das pessoas através das biografias narradas na re­vista “Caras” do que nas biografias narradas na Bíblia. A citada revista e muitos livros e periódicos evangélicos se ocupam com o que é clamoroso, extraordinário, fantástico. Mostram uma parte da realidade, certamente uma parte insignificante. São biografias de casamentos perfeitos, paixões intermináveis, sorrisos que atestam uma felicidade invejável, igrejas bem-sucedidas, ministérios glamurosos, estratégias de crescimento dignas de exportação, cultos arrebatadores, igrejas maravilhosas.

Essas mesmas pessoas que lêem este tipo de biografia não conseguem, quando entram na igreja ou lêem a Bíblia, ver além do glamuroso, do extraordinário e do fantástico. São “jornalistas espirituais”. Ad­miram a fé de Abraão, mas ignoram sua covardia; pregam sobre a determinação de Jacó no vale de Jaboque em ser abençoado por Deus, mas negam seu espírito manipulador e enganoso; lembram sempre de Davi, o homem segundo o coração de Deus, mas não se importam com o adúltero, mentiroso e assassino. Se olharmos para a genealogia de Jesus, veremos nela muitos cuja vida não seria digna de aparecer em nossos livros e revistas que narram as biografias glamurizadas e testemunhos poderosos de sucesso.

Esta fascinação pelo extraordinário nos leva a criar os heróis, a exaltar o forte, a glorificar o vencedor. Os vemos sempre de longe, nos palcos e púlpitos, os aplaudimos, ad­miramos. Não fazem parte do nosso mundo simples, comum e ordinário. Não admitimos seus erros e pecados e eles, por sua vez, passam a ocultá-los, ou pior, negá-los. São sujeitos e vítimas do mundo fantasioso que criamos, precisam cultivar a ilusão para preservar o ídolo. Ao não admitir sua humanidade comum e ordinária, experimenta­mos uma espiritualidade infantil e imatura, dependente do sucesso deles, da ilusão de uma vida irreal. Tomamo-nos imaturos em relação aos nossos problemas e imaturos em relação aos problemas dos nossos irmãos. Igreja infantil, que precisa do entretenimento religioso para fugir da realidade da vida.

A Bíblia, ao contrário, nunca negou a realidade. Mesmo que não queiramos enxergá-la, ela está lá, rica em detalhes, para ninguém duvidar. Isto porque a vida cristã não consiste em negar a realidade, mas em trazer para dentro do comum e ordinário dos homens a presença salvadora de Jesus Cris­to. Foi isto que aconteceu com Jacó, Davi, Jó e Daniel. Em meio aos conflitos próprios do seu tempo e cultura, das lutas e tensões diárias que experimentavam, provaram a salvação; não negaram seus pecados e dilemas - ao contrário, enfrentaram com honestidade e humildade sua natureza caída e provaram o poder da reconciliação.
Davi, Abraão, Jacó, lsaque e muitos outros tiveram problemas, como todos temos, em seus casamentos, na criação de seus filhos, na vida profissional e na sua relação com Deus. Se olharmos para a igreja primitiva, tão idealiza­da por muitos em suas pregações, encontraremos o mesmo cenário: adultério, mentiras, heresias, injustiças, brigas eclesiásticas, conflitos conjugais e pais lutando para compreender, amar e educar seus filhos.

A fé não é, necessariamente, um atestado de competência.

Às vezes me pergunto: que diferença havia, ou há, entre aqueles que professam sua fé em Cristo e os que a negam? A diferença é que os primeiros trouxeram para dentro de suas vidas comuns e ordinárias a presença de Cristo, buscaram experimentar a conversão de caminhos maus e encontraram o lugar da oração e comunhão. Nem sempre a diferença está no comportamento visível. Conheço muitas famílias e profissionais que, embora não professem a fé em Cristo, demonstram uma compreensão relacional e um desempenho profissional muito melhor do que muitos cristãos. A fé não é, necessariamente, um atestado de competência. É o caminho a Cristo e à comunhão com Ele. A Igreja sempre foi, e continua sendo, uma comunidade de pecadores buscando reconciliação e paz com Deus.

Não se deixe seduzir por aqueles que prometem uma igreja melhor.

A Igreja faz parte do que há de mais ordinário, mais comum e rotineiro na vida dos homens. Quando lemos a Bíblia, encontrarmos Deus agindo e transformando o homem dentro desta realidade comum e ordinária. São histórias de festas, pescarias, conversas e encontros que faziam parte da rotina das pessoas. Certamente havia lugar para o extraordinário, o incomum. Há milagres, muitos deles na caminhada da fé, mas a maioria dos milagres na vida cristã não tem a forma das grandes intervenções divinas. Estão escondidos nos episódios comuns, nas situações onde experimentamos o medo, a rejeição, o abandono e a traição; nos amigos que nos desapontam; no filho adolescente que desafia e protesta; no casal antigo de longos anos que enfrenta a amargura do divórcio.

Encontrar a vida em Cristo nestes lugares e cenas comuns e ser transformado por Ele é provar o milagre de ser reconciliado à sua imagem e semelhança. Quando aprendermos a aceitar o comum, a viver a realidade de quem somos e do que Deus fez e está fazendo em nós por meio do seu Filho Jesus Cristo; quando deixarmos de valorizar o extraordinário e cultuar nossas celebridades para reconhecer que, diante de Deus, somos todos pecadores que carecem da graça; quando olharmos mais para a Bíblia e suas histórias e menos para “Caras” e congêneres evangélicos - então começaremos a dar os primeiros passos em direção a um crescimento espiritual e pessoal que fará de nós cristãos com uma humanidade mais robusta e verdadeira.

Para que isto aconteça, mantenha seus olhos voltados para Cristo. Não se deixe seduzir por aqueles que prometem uma igreja melhor, um ministério mais poderoso, um lugar onde todos os seus problemas serão solucionados. Não acredite neles, são mentirosos. Para crescer na fé não precisamos de shows, nem de igrejas espetaculares, muito menos de líderes e pastores que não compartilham de nossa vida comum. Precisamos aprender a orar, ouvir e obedecer Deus e Sua Palavra, participar juntos da ceia do Senhor e servir nossos ir­mãos e irmãs no amor de Cristo. Essas coisas só acontecem dentro da rotina ordinária da vida.


Ricardo Barbosa de Souza, pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, Revista Vinde, março de 1999 - pp. 54-55